• Crítica Sem Saída: um filme sem sombra de dúvidas desnecessário

      Jhon Singleton é um diretor dedicado, tem mão para ação e consegue estabelecer um eixo dramático nas histórias as quais dirige.

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      Ângelo Costa

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    • Jhon Singleton é um diretor dedicado, tem mão para ação e consegue estabelecer um eixo dramático nas histórias as quais dirige. Tomemos como exemplo excelentes filmes como: Four Brothers, Shaft e Boyzn The Hood. Mas infelizmente seu recém trabalho Sem Saída marca o retrocesso em sua carreira, o inacreditável e desnecessário roteiro de Shawn Christensen acompanhado pela péssima atuação de Taylor Lauther, colaboram para tais circunstâncias. A tentativa absurda e, consequentemente falha, de dar profundidade e porque não, uma sofisticação dramática no enredo, serve apenas como desculpa para alavancar o título do filme junto a sua estrela.   Em Sem Saída Taylor Lauther interpreta o jovem Nathan, um adolescente "problemático" que vive com seus pais (Maria Bello e Jason Isaacs) num pitoresco subúrbio americano. Sua vida muda completamente da noite pro dia, quando este descobre uma teia de mentiras em sua volta. Confiando apenas em sua amiga de infância, a jovem Karen (Lily Collins), Nathan tem que sobreviver para descobrir toda a verdade sobre si mesmo e sua família.   Dado ao sucesso da franquia 'Crépusculo' não demoraria muito para que Taylor Lauther tivesse seu próprio filme e figurasse como protagonista de alguma aventura. Porém essa experimentação é completamente desastrosa, por falta talvez de uma preparação de elenco adequada ou por incompetência e desleixo em suas atuações, Lauther se mostra incapaz até mesmo de esboçar uma emoção em cena. Christensen e seu roteiro meia boca que mais lembra 'Pequenos Espiões', não sustenta em momento algum o clichê de sua trama. A única explicação existente para o encabeçamento deste thriller de espionagem é lucrar com a popularidade atual deste adolescente que nasceu dos lobos. E o roteiro displicente de Christensen não para por aí, os diálogos vergonhosos que mais tendem para o lado da comédia são carregados de "frases de efeito" absolutamente insanos. Para se ter uma idéia, o vilão da história em determinado momento afirma que vai matar todos os amigos que se encontram no facebook de Nathan. O agente da CIA encarregado pela busca do rapaz, ao encontrá-lo pergunta: Vocês não gostariam de um hambúrguer e Milk-Shake? Diálogos como este num filme que se vende como suspense, ação e mistério não são nada atraentes para uma obra, fato.   O apego do enredo relacionado às emoções adolescentes do protagonista e o tom familiar oferecido neste universo são fortemente praticados o tempo inteiro, mas a involução deste processo só proporciona perda de tempo dentro da uma história que poderia ser claramente bem aproveitada. É raro ver filmes de ação que utilizam desta temática especificamente, mas a extravagância do diretor/roteirista em ironizar o produto fazem com que o rendimento caia proporcionalmente ao talento de seus envolvidos.   Em meio a tantos problemas, Sem Saída tem cenas de ação minimamente calculadas, cortes rápidos determinam o dinamismo do plano, aqui ainda é possível ver uma fragilidade nas atuações, mas as características principais de um filme deste gênero são plenamente atendidas, ainda que, fosse possível melhorá-las. O que não colabora muito é a trilha sonora de Ed Shearmur, que soa tão indigesta nas cenas dramáticas que o próprio expectador se pergunta qual o grau de emoção do momento, quebrando qualquer possibilidade de um envolvimento maior do público para com a história.   Sem Saída é um filme sem sombra de dúvidas desnecessário, sem clímax e emocionalmente problemático. A criação de um novo Bourne para as telonas não caiu bem para Taylor Lauther, ainda bem! Acredito que nem quem faça parte do Team Jacob o leve em consideração. E se o que afirmo for mentira, então o mundo está completamente perdido.