• Crítica American Pie: O Reencontro: Uma comédia sobre o anseio da vida sexual

      O timing de humor do filme é proporcional ao sucesso da franquia

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    • Por
      Ângelo Costa

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    •   Uma das maiores franquias cinematográficas no gênero da comédia nascia na década de 90, chegando inclusive a popularizar um termo muito conhecido no mundo pornô, o MILF (consulte o significado na internet, não me atreverei a colocá-lo aqui). Com um timing de humor bem pontual e com conotação sexual, American Pie se destaca por reconhecer que se trata meramente de uma comédia pastelão, mesmo que no final de seus filmes, sempre tenha uma lição de moral, como se o espectador fosse aprender algo no final de uma história após tantas cenas sem noção. American Pie: O Reencontro é uma mera homenagem à própria franquia que já perdura por 13 anos, amarrando suas próprias referências de uma forma bastante agradável até mesmo para quem não fã da franquia.

      Em American Pie: O Reencontro, Jim (Jason Biggs) e Michelle (Alyson Hannigan) estão casados e tem um filho, Evan (George Christopher Bianchi). O nascimento de uma criança fez com que os pais se afastassem sexualmente, apesar de ambos manterem o apetite sexual. Kevin (Thomas Ian Nicholas) é casado e, segundo Jim, o "dono de casa perfeito". Oz (Chris Klein) se tornou apresentador de um programa de esportes na TV e leva uma vida de aparências ao lado da namorada. Finch (Eddie Kaye Thomas) simplesmente desapareceu e mantém contato apenas através de sua página no Facebook. Jim, Kevin, Oz e Finch foram convidados para a festa de reunião da turma de 1999 e, para matar a saudade dos bons tempos, decidem se encontrar na cidade em que moravam dois dias antes da festa. Logo ao chegar, eles reencontram Stifler (Seann William Scott), que trabalha como estagiário em uma importante empresa, mas é sempre humilhado pelo chefe. Juntos, eles percebem o quanto mudou em suas vidas desde a época em que eram adolescentes, precisam lidar com as responsabilidades que surgiram e ainda reencontram antigos amores e amigos.

      Como toda boa franquia que de certa forma já possui um público formado e que aparentemente cresceu com ela, uma breve representação dos seus personagens não pode ser descartada. Aqui, os diretores Jon Hurwitz">Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg ponderaram as personalidades de cada protagonista objetivamente. Colocando-os primeiramente em situações que tenham que lidar com o cotidiano domiciliar, serem maduros em determinadas questões ou até mesmo agirem irresponsavelmente, como é o caso do Stifler, personagem que funciona muito mais que um alívio cômico na série, ele representa todo o espírito e proposta do filme.

      É interessante notar que mesmo após tantos filmes (alguns deles nem foram para o cinema) American Pie: O Reencontro não é desnecessário. O filme reconta a vida dos personagens, nos atraindo à curiosidade quanto ao que poderia ter acontecido aquele grupo de amigos que só se metia em confusão. Quanto às referências à década de 90, estas são bem pontuadas tanto no roteiro, quanto pela direção de arte, um exemplo disso é quando Jim revê seu quarto e nele encontramos diversos elementos que representa aquela época. A partir deste insight, a narrativa se desenrola através da crise de identidade dos personagens, do amadurecimento, etc. Uma das mais divertidas comparações durante ao filme, remetem-se a saga crepúsculo e o uso constante do facebook no que tange a comunicação.

      Nem um pouco ingênuo em sua proposta, American Pie: O Reencontro é divertido em todos os quesitos. Recomento que o espectador permanece no cinema após o filme e acompanhe as inúmeras fotos dispostas ao lado dos créditos finais.

      *Existem cenas pós-créditos