- 12 Horas
- 13 de Abril de 2012 nos cinemas | Paris Filmes | Gone | 2012
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12 Horas - Crítica 12 Horas -
Gênero:
Suspense
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Thriller
Duração: 2 horas e 3 minutos | Verifique a Classificação indicativa do filme
Críticas
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Crítica 12 Horas: As Aventuras de um Diretor Intimista na Esfera Hollywoodiana
Heitor Dhalia se joga no mercado internacional em um filme básico demais para sua filmografia densa.
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Os estúdios de cinema enxergam o processo de produção de um filme como John Ford enxergava a construção de um carro. Todos os passos são feitos de forma metódica e repetida onde qualquer mudança é avaliada como algo mal visto, que pode gerar problemas e não surtir o efeito comum previsto. Um tipo de processo de mina a criatividade e inibe as inovações, onde roteiros repetidos chovem do céu de forma homogênea e linear.
Ao aceitar trabalhar na direção do roteiro do inexpressivo Allison Burnett em uma produção nos Estados Unidos, Heitor Dhalia chamou atenção e criou expectativa em um público que já pode chamar de “seu” aqui no Brasil. Depois de três longas excepcionais (“Nina”, “O Cheiro do Ralo” e “A Deriva”) Dhalia já cativou seu espaço entre os grandes autores cinematográficos pela sua estética pessoal e extremamente intimista, um verdadeiro investigador do psicológico humano, algo que consegue ser mostrado mas superficialmente nessa nova produção.
A história de “12 Horas” se passa em Portland, onde Jill (Amanda Seyfried), uma mulher de mente atormentada sofre pelo descrédito ao contar a todos que foi seqüestrada por um serial killer. Um ano após o incidente, Jill ainda sofre com os conflitos externos e internos que passa e cria um casulo onde a única pessoa que consegue penetrar efetivamente é sua irmã Molly. A forma que o filme utiliza para passar ao espectador essas informações parecem soltas da estrutura do filme, cenas que sobram e não parecem somar muito, algo que se mantém em diversos aspectos no filme.
A ação começa quando Molly é seqüestrada pelo mesmo homem, levando Jill a busca pelo Nemesis de sua vida. É nesse ponto em que o roteiro parece começar a trabalhar direito, colocando pistas, uma atrás e amarrada na outra, no caminho de Jill. A qualidade dos diálogos vai evoluindo, chegando a pontos realmente afiados, onde os personagens conseguem ganhar camadas e o próprio público começa a duvidar da sanidade da protagonista, que mente com destreza para as pessoas no seu trajeto.
Heitor Dhalia aproveita bem os recursos novos que obteve nesse processo para desenvolver sua direção. Ainda assim, vemos aspectos bacanas que já usava em seus primeiros filmes, como a variação entre estabilidade e instabilidade, planos parados se intercalam com a câmera na mão instigando ainda mais o público para o suspense da história. É perceptível uma calma e maturidade do diretor ao desenvolver a história e talvez até a consciência dos problemas de seu roteiro, conseguindo passar por cima apenas de alguns menores, o que demonstra seu pouco poder de decisão nesse projeto.
A fotografia escura e azulada consegue dar o tom obscuro que a história pede, quebrada apenas em momentos de falsa tranqüilidade. Aliás, o filme insiste em trazer os elementos mais fáceis e utilizados pelo suspense. Aqui, vale até jogar um gato preto no rosto da atriz para elevar a tensão. A platéia cai em risos.
As atuações são tão instáveis quanto o roteiro, e os planos, cada vez mais próximos, de Dhalia revelam as qualidades e defeitos de cada um. Amanda Seyfried é uma atriz de extremos, e funciona melhor no filme no mais alto desespero ou na mais calma indiferença e ironia, deixando os diálogos sérios que pedem uma certa “normalidade” em um lugar não-crível.
Se fossemos analisar “12 Horas” como um carro já construído naquele método de Ford citado acima, suas falhas estariam evidentes em todo lugar. O motor que alavancaria sua história engasga todo tempo com combustíveis que não convencem o público, os atores se movem como pistões em movimentos lineares e que se em um momento surpreendem, em outro retornam ao lugar de conforto. Pelo menos, vemos isso com uma pintura bela e uma boa divulgação, algo já comum na indústria que leva a “máquina dos sonhos” que é o cinema.
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