-
Crítica: Shrek 4
Pavoroso e desnecessário
23 de Julho de 2010 às 11:54 (388) Leituras (0) Comentários (0) Votos Publicada por: Marcelo LemeFonte: Marcelo Leme/SaladaCultural
Veja horários e locais de exibição do filme Shrek 4 em sua cidade
Shrek ganhou o carinho de muitos por tratar com muito bom humor temas surrados e clichês, fazendo paródia da ingenuidade. Sua força reside ainda ao tratar de padrões de beleza, brincando com seu personagem principal, um ogro verde bondoso e carismático, um anti herói que culminou num sucesso estrondoso resultando numa boa trilogia recheada de críticas sutis e piadas originais. Mas nem tudo é elogio.
Se os estúdios encontraram uma mina de ouro na franquia, então uma sequência poderia vir bem a calhar - aos bolsos de seus realizadores - sacrificando tudo que já havia sido feito com essa quarta parte, chamada de o capítulo final, "Shrek Para Sempre". Nos cinemas, é um verdadeiro arrasa quarteirões, e como não fazer isso? Há anos, Shrek e seus amigos enfeitam estantes, paredes e são alvos das brincadeiras de muitas crianças. Um verdadeiro sucesso comercial que funcionou e atingiu todas as idades.Já nesse quarto filme, a fórmula do sucesso das outras partes parece ter sido esquecida, uma vez que a aposta foi reciclar as idéias que já foram apresentado nos outros três filmes da série. O ogro se encontra em crise de meia idade, não provocando aquele temor como outrora provocava, sendo agora um alvo de risadas como num circo de horrores, o qual ele é a estrela sob os holofotes.Cansado da vida monótona, irritado com as exigências paternas em plena festa de aniversário dos filhos, um ataque de nervos faz com que Shrek saia de casa e minutos depois se depare com o vilão de nome impronunciável, Rumpelstiltskin, que seduz o verdão a voltar a ser por um dia um monstro assustador. As consequências de um pacto transformam o filme numa versão animada que faz lembrar o clássico natalino “A Felicidade não se Compra” e Shrek se encontra num outro mundo o qual não existiu e ele vê como seriam seus amigos frente a uma outra realidade.Tecnicamente competente como os outros filmes da série, esse último capítulo deverá divertir mais os grandes fãs da ex-trilogia. As piadas são atiradas, mas não são tão divertidas. As sequências de ação não tem tanto vigor e a história se banaliza à medida que avança com questionamentos morais favoráveis, usados de maneira precipitada e que não faz jus ao que conhecemos sobre Shrek. Seus personagens centrais são os mesmos, felizmente, pois as caricaturas criadas nos vilões não se adequam aos antagonistas anteriores, tendo bruxas aborrecidas, um flautista inebriante e o baixinho Rumpelstiltskin, cansativo.Os roteiristas pouco ousados e criativos são os mesmos da terceira parte. Fiona rouba a cena tornando-se talvez a personagem mais intensa do filme diante da crise existencial do marido. O Burro é o mesmo e o Gato de Botas, agora obeso e incapaz de caçar um rato, ainda cativa com seu charme. À procura de diversão, “Shrek Para Sempre” se revela uma opção, mesmo com o esplêndido “Toy Story 3” dividindo as atenções. É o capítulo que sela uma história, ao menos até os realizadores estiverem precisando de uma graninha a mais.
AVALIAÇÃO 2,5/10
-
-

